Brazil Green Energy receberá licença para instalar em Areia Branca a primeira usina comercial de hidrogênio verde do RN, com R$ 12 bilhões e capacidade inicial de 80 mil toneladas por ano
O município de Areia Branca, no litoral potiguar da região de Mossoró, a cerca de 280 quilômetros de Natal, é o principal polo salineiro do Brasil. O Terminal de Areia Branca (Porto-Ilha), construído entre 1969 e 1974, é o foco logístico de um setor que concentra entre 95% e 98% da produção nacional de sal marinho e movimenta cerca de R$ 300 milhões por ano na economia do território, gerando aproximadamente 4 mil empregos diretos, segundo o Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (Siesal-RN). Agora, o mesmo município começa a desenhar um segundo ciclo econômico: o Projeto Morro Pintado, da empresa Brazil Green Energy, prevê a instalação da primeira usina comercial de hidrogênio verde e amônia verde em escala industrial no Rio Grande do Norte, com investimento de R$ 12 bilhões e participação de grupos industriais alemães de referência global. A licença prévia para implantação foi apresentada na Hannover Messe 2026, maior feira de tecnologia industrial do mundo, na terça-feira (21).
A licença prévia foi concedida pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do RN (Idema) durante o lançamento do Atlas de Hidrogênio Verde do Rio Grande do Norte, realizado em 10 de abril no auditório da Governadoria do Estado, em Natal. O evento reuniu representantes do setor energético e industrial.
A governadora Fátima Bezerra afirmou, na cerimônia de concessão, que a licença cobre planta com 500 MW de capacidade instalada e produção estimada de 80 mil toneladas de hidrogênio verde por ano na fase inicial. A meta da fase plena é de 1.400 MW em energia eólica e solar, segundo a Exame. O projeto prevê ainda a construção de terminal portuário próprio para exportação do produto e ocupará área de 200 mil metros quadrados em Areia Branca. O complexo terá, ainda, capacidade para produzir amônia e ureia verdes como derivados.

Licença e segurança jurídica
O documento foi normatizado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente, com aval da Procuradoria Geral do Estado e do Governo do Estado, e é a primeira licença prévia emitida para uma planta comercial de hidrogênio verde no estado. “É a primeira licença emitida para um empreendimento deste tipo e além da segurança ambiental, também traz a segurança jurídica, porque o tema foi normatizado com aval da Procuradoria Geral do Estado e do Governo”, afirmou Werner Farkatt, diretor-presidente do Idema, que representou a governadora Fátima Bezerra na Hannover Messe.
Para a governadora, “o Rio Grande do Norte tem mostrado ao mundo que é possível crescer com sustentabilidade, planejamento e segurança jurídica. Esse projeto representa empregos, desenvolvimento e a consolidação do nosso estado como protagonista da nova economia verde.” A viabilização da licença foi precedida pela sanção, em agosto de 2025, da Lei do Marco Regulatório do Hidrogênio e da Indústria Verde do estado, que estabeleceu a base jurídica para atrair projetos de descarbonização.

Consórcio internacional e papel da ApexBrasil
O Projeto Morro Pintado conta com participação de Brazil Green Energy, Green Investors, ThyssenKrupp Uhde, Siemens e Andritz. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) coordenou o anúncio internacional, com participação de seu presidente, Laudemir Muller, que lidera missão comercial com cerca de 800 empresários e mais de 140 expositores no Pavilhão Brasil da Hannover Messe.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que “esse é um exemplo real de tudo o que podemos fazer em termos de negócios e de como é factível que a relação comercial Brasil-Alemanha dobre em valores em 5 anos.”
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) atuou como articuladora entre os investidores e o governo estadual. “A transição energética mundial passa pelo Rio Grande do Norte e essa licença é um marco, um avanço decisivo na produção do hidrogênio verde e amônia no nosso estado”, afirmou o presidente da FIERN, Roberto Serquiz.

RN na corrida global pelo hidrogênio verde
O Projeto Morro Pintado insere o Rio Grande do Norte em uma disputa que mobiliza governos e empresas em escala global. Segundo a consultoria Rystad Energy, mais de 1.000 projetos de hidrogênio verde já foram anunciados globalmente, representando investimentos da ordem de US$ 350 bilhões, com o Brasil entre os 10 primeiros no ranking global de projetos anunciados.
Os concorrentes diretos combinam recursos naturais e marcos regulatórios avançados: Chile, Egito e Namíbia disputam mercado com vantagens financeiras e regulatórias, enquanto China, Estados Unidos e Alemanha investem pesado na tecnologia.
No Brasil, o principal hub em estruturação é o Complexo do Pecém, no Ceará, onde a mineradora australiana Fortescue prevê R$ 20 bilhões para uma das maiores plantas de hidrogênio verde do mundo, com 1,2 GW de energia renovável e 900 mil toneladas de amônia verde ao ano, com operação prevista entre 2028 e 2029.
O Morro Pintado, com R$ 12 bilhões e terminal portuário próprio em Areia Branca, posiciona o RN como um segundo polo nacional relevante nessa corrida. O Atlas de Hidrogênio Verde aponta que, utilizando apenas 20% das áreas aptas do estado, a produção potencial supera 20 milhões de toneladas anuais, acima da demanda global projetada para 2040 de 11 milhões de toneladas.

